Até na sobremesa: Porque a rivalidade entre Nova Zelândia e Austrália é tão grande

Atualizado: 27 de Jul de 2019

Assim como Brasil e Argentina, australianos e neozelandeses alimentam uma rivalidade de vizinhos, de irmãos. Ambos os países da Oceania são ex-colônias britânicas e compartilham até mais coisas em comum do que os sul-americanos, mas tanto no esporte, quanto fora dele, eles não se "bicam".



NATIVOS X COLONIZADORES

Diferentemente dos aborígenes australianos, as tribos maori que primeiro habitaram a Nova Zelândia ainda têm certa influencia na cultura contemporânea do país - vide o haka performado pelos All Blacks antes de cada partida. Uma rápida comparação entre os jogadores das duas seleções de rugby union também mostra como a mistura entre nativos e colonizadores foi maior em solo neozelandês.

Os britânicos desempenharam um papel importante na quase extinção dos primeiros povos que habitavam ambos os territórios, fosse através de doenças, por encorajar a disputa entre tribos ou pelo conflito direto. Logo, assim como os índios no Brasil, ainda existe um ranço em relação aos europeus. E, entre as duas nações, qual tem mais cara de ingleses queimados de sol?


O PRIMEIRO HAKA

Todo mundo já conhece o haka. O primeiro deles, porém, já não é mais apresentando principalmente porque, com certeza, desencadearia uma verdadeira confusão. Se os australianos não gostam muito da dança/grito de guerra dos All Blacks, muito se deve ao fato de que, em 1903, antes da primeira partida de rugby entre as duas equipes, os neozelandeses cantaram uma versão especialmente endereçada aos Wallabies: o "Tena Koe Kangaroo", em pleno solo adversário. Na tradução, a provocação histórica:


Tena koe, Kangaroo / Como vai, Canguru! Tupoto koe, Kangaroo! / Preste atenção, Canguru! Niu Tireni tenei haere nei / A Nova Zelândia está invadindo! Au Au Aue a! / Coitados de vocês!

BLEDISLOE CUP

Desde 1931, Wallabies e All Blacks disputam a Bledisloe Cup. A partir de 1982, a briga pelo troféu, que tem o nome do antigo lorde e governante neozelandês que doou a taça, se tornou anual. Basicamente, quem levar a melhor nos jogos entre as duas equipes ao longo do ano, fica com o título. Não valem os encontros em Copas do Mundo, mas sim os da Rugby Championship (que antes da Argentina entrar chamava-se Tri-Nations, com Austrália, Nova Zelândia e África do Sul).

Um ano com três, outro com duas e até com quatro partidas, o que importa é o embate entre as duas seleções. O saldo não entra na conta e se o número de vitórias for igual no final do ano, o atual campeão continua com o troféu. Mantendo a Bledisloe Cup por 15 anos, desde 2003, a Nova Zelândia tem ampla vantagem em conquistas, com 43 contra 12 dos rivais.

SUPREMACIA NO CRÍQUETE

Legado da colonização britânica, o críquete tem uma popularidade gigante nas duas nações. Cinco vezes campeões da Copa do Mundo, a Austrália tem números muito mais expressivos no esporte do que o país vizinho. Conhecidos como Black Caps, os neozelandeses chegaram à decisão do Mundial deste ano e tinham a esperança de conseguirem o título inédito, mas acabaram derrotados na final, adivinhe por quem?


VERGONHA NO CRÍQUETE

Um dos episódios mais polêmicos da história do críquete aconteceu justamente num encontre entre Black Caps e Baggy Greens (como é conhecida a Austrália). Em 1981, no duelo que decidiria Word Series Cup - competição em solo australiano que dura apenas um dia - o terceiro e derradeiro jogo entre as duas equipes se manteve emocionante até o final.

Na última bola, a Nova Zelândia estava na rebatida e precisava de um six para vencer (mandar a bola para além dos limites do campo sem ela quicar no chão). O capitão dos donos da casa Greg Chappell instruiu o seu irmão e arremessador Trevor a jogar uma bola ‘underarm', ou seja, rente ao chão. Assim, os adversários não conseguiriam realizar o six.

Apesar de ser uma manobra permitida na época, a escolha foi vista como antiética, covarde e contrária ao espírito do críquete. Curiosamente, o irmão mais velho dos Chappell, Ian, era ex-jogador e estava comentando a partida em uma das transmissões. Ele pôde ser ouvido gritando "não, você não pode fazer isso", quando percebeu a ordem. Os neozelandeses saíram revoltados de campo, a torcida vaiou a própria equipe e a repercussão extremamente negativa acabou banindo a jogada do esporte.

JOGO VIRANDO NO RUGBY LEAGUE

Enquanto o rugby union é o grande esporte na Nova Zelândia, o rugby league tem mais popularidade na Austrália. Ao invés de All Blacks e Wallabies, na outra modalidade os rivais são conhecidos por Kiwis e Kangaroos. O jogo disputado com 13 atletas de cada lado sempre foi dominado pelos australianos, mas recentemente isso tem mudado. Equivalente à Bledisloe Cup, o Anzac Test foi vencido pelos Kiwis neste ano e levou a seleção neozelandesa à primeira colocação do ranking mundial.


NETBALL E BASQUETE

Se existe algum esporte no qual somente duas equipes reinam, esse esporte é o netball - variação do basquete praticada apenas por mulheres. A rivalidade é tamanha que nenhum outro país conseguiu chegar à final do Mundial da modalidade desde a África do Sul, em 1995. As Silver Ferns, mesmo símbolo que estampa a camisa dos All Blacks, só venceram duas das dez finais entre as duas seleções, mas os encontros são sempre apertados, duros e cheios de provocações.

No basquete não é diferente, mas pelo lado masculino. Frequentemente dueland na Oceania Championship, Tall Blacks e The Boomers costumam ir às vias de fato.

ATÉ NA SOBREMESA?

Por último, mas não menos importante, algo que irrita constantemente os neozelandeses e acirra os ânimos entre os dois países é o fato de o resto do mundo automaticamente ligar qualquer coisa que venha da Oceania à Austrália. Sabe o ator "australiano" Russel Crowe? Ele nasceu na Nova Zelândia. A sobremesa australiana Pavlova, foi inventada na Nova Zelândia. E a banda Crowded House, do sucesso dos anos 80 "Don't Dream is Over", é considerada da terra dos cangurus, mas o vocalista, líder e fundador do grupo, Neil Finn, é neozelandês.








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